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Aliados de ministro pretendem questionar tudo: formato de sessão, quórum, licitude das provas, participação de Fux e Nunes Marques, e ainda exigir julgamento conjunto com Mendonça
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Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes — Foto: Victor Piemonte/STF
Diante do risco de ser alvo de uma inédita abertura de investigação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes aposta na estratégia, a ser executada pelos seus aliados, de lançar uma série de questões preliminares para tentar melar o julgamento previsto para esta terça-feira (15). A “prévia” desse roteiro já veio à tona nos últimos dias, com a guerra de ofícios que partiu da exigência do levantamento do sigilo do caso Master, inclusive de frentes de investigação sem relação com Moraes, além do acesso ao material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
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O objetivo do grupo, formado pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, é levantar uma série de questões preliminares – a equipe da coluna mapeou pelo menos sete – para tentar impedir que o julgamento chegue à análise do mérito sobre as 52 mensagens trocadas pelo ministro com Vorcaro. Numa delas, em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro questiona Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Dois dias depois, numa segunda-feira, Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai.
Na lista de questões preliminares a serem levantadas pelos aliados de Moraes, a prioridade é o formato da sessão.
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Segundo a equipe da coluna apurou, entre as questões que serão apresentadas por Gilmar, Dino e cia. estão o formato da própria deliberação – se em sessão aberta (como pretende o presidente do STF, Edson Fachin) ou fechada (como quer o grupo de Moraes) – e o quórum de votos exigidos para determinar a abertura de investigação – se é ⅔ ou maioria do plenário.
Mais do que uma questão formal, definir se a sessão será aberta ou fechada pode selar o resultado e o destino de Moraes, já que na avaliação deles uma sessão secreta pode ajudar a atrair o voto dos mais suscetíveis à pressão, como Cármen Lúcia.
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O grupo também pretende tentar tirar do julgamento os ministros que já se espera que votem pela abertura do inquérito. Por isso, já está na lista das preliminares pedidos de suspeição de André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, que de acordo com o que se diz nos bastidores seriam mencionados em conversas extraídas do celular de Vorcaro – daí porque Zanin e Gilmar tem dado seguidos despachos exigindo a íntegra das mensagens para embasar os pedidos de suspeição e constranger os colegas.
Como Nunes Marques e Fux são considerados aliados de Mendonça, se forem afastados do julgamento poderiam desequilibrar a balança a favor de Moraes.
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“Ninguém sabe quem vai poder votar na terça-feira”, resume uma fonte que acompanha de perto as discussões, que avalia que o resultado do julgamento vai depender da “pressão da opinião pública até lá”.
Outra questões que deve ser levantada é a suposta ilicitude das provas colhidas e o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que defendeu o arquivamento do relatório policial sobre as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. O próprio Gonet é mencionado no relatório e tem sido cobrado pelos seus pares no Ministério Público Federal (MPF) para não atuar no caso.
Julgamento conjunto
O grupo de Moraes ainda pretende exigir que o caso dele seja julgado em conjunto com o pedido do próprio Moraes para que Mendonça também seja investigado, como forma de equiparar as condutas dos dois. A análise conjunta dos casos já foi negada por Fachin antes mesmo do julgamento, mas deve reaparecer na sessão extraordinária convocada para começar às 10h desta terça-feira.
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Moraes recorreu a relatórios apócrifos da PF para acusar o colega de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, além de direcionamento das investigações e “quebra na cadeia de custódia”, abraçando uma tese que vinha sendo estudada pela própria defesa de Vorcaro para tentar anular as investigações.
Ou seja: além de tentar salvar Moraes, uma ala do STF ainda pode aproveitar o julgamento para plantar a semente da nulidade das investigações que estavam com Mendonça até serem remetidas à presidência do STF por ordem de Fachin, no último sábado (12). A depender do resultado, esses argumentos podem ser usados pelos alvos do caso Master para escapar das investigações.
Moraes repete roteiro de réus da trama golpista
Conforme informou o blog, ao apostar nas questões preliminares, Moraes tem recorrido à estratégia jurídica adotada pelos réus da trama golpista que ele mesmo condenou em julgamentos da Primeira Turma do STF.
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Moraes acusa André Mendonça de direcionar apurações, critica a suposta “condução irregular das tratativas" de delações e vem tentando emplacar a tese da suspeição do relator do caso Master. Também pediu acesso integral às provas obtidas pela Polícia Federal, questiona o respeito da cadeia de custódia e chegou a sugerir que tais questões poderiam levar à nulidade completa das investigações – algo que pode não só beneficiá-lo, mas salvar políticos de diferentes matizes políticos arrastados para o epicentro do escândalo.
É o mesmo caminho percorrido pelas defesas de Jair Bolsonaro, generais de alta patente e outros oficiais das Forças Armadas condenados com o voto de Moraes no caso da trama golpista.
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Essas teses foram usadas pelas defesas dos réus antes, durante e até mesmo após o julgamento que resultou nas condenações impostas pela Primeira Turma do STF no julgamento dos diversos núcleos da trama golpista, como o que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, em setembro do ano passado.
No caso relatado por Moraes, porém, todas essas questões foram rechaçadas por ele, com o endosso da Primeira Turma do STF, colegiado formado por Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
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Agora, o jogo se inverteu e é Moraes quem quer escapar de uma investigação.
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