O ágape é a crença no amor altruísta, caridoso, não erótico (fraternal), no amor espiritual, no amor da alma. Pode significar a crença de que esse amor deve ser o único valor supremo e que todos os outros valores derivam dele, ou que o único imperativo moral é amar. O ágape teológico sustenta que nosso amor por Deus se expressa pelo amor ao próximo. Como ética do amor, o ágape indica que devemos fazer o que há de mais amoroso em cada situação, deixando que o amor determine nossa obrigação em vez de regras. Alternativamente, diante de um conjunto de regras, o ágape indica que devemos seguir aquelas que produzem mais amor. Notoriamente, agapismo tornou-se um conceito elaborado por Charles Sanders Peirce em sua cosmologia para designar o universo como evoluindo com base no amor criativo, diretamente ligado à sua categoria da terceiridade e à reconciliação. Um precursor do termo apareceu anteriormente em Henry Mayhew, referindo-se a uma atitude comunal, cujo ideal mais tarde foi adotado também no movimento hippie.

História conceitual Em 1851, o jornalista e pesquisador social inglês Henry Mayhew, ao discutir meios para "uma divisão mais geral e igualitária da riqueza do país", caracterizou o agapismo como "a partilha voluntária de bens individuais com os membros menos afortunados ou bem-sucedidos da comunidade" e como a alternativa ao comunismo ("a abolição de todos os direitos à propriedade individual").

Em 1893, o filósofo americano Charles Sanders Peirce usou a palavra "agapismo" para a visão de que o amor criativo opera no cosmos. Baseando-se nas ideias swedenborgianas de Henry James, Sr., que ele havia absorvido muito antes, Peirce sustentou que envolve um amor que se expressa em uma devoção a nutrir e cuidar de pessoas ou coisas além de si mesmo, como um pai pode fazer por seus filhos, e como Deus (sendo Amor) faria até mesmo e especialmente por aqueles que não amam, através dos quais os amados podem aprender. Peirce considerava esse processo como um modo de evolução do cosmos e de suas partes, e chamou tal processo de "agapasmo" (agapasm), de modo que: "O bom resultado aqui é alcançado, primeiro, pela concessão de energia espontânea da figura parental à prole e, segundo, pela disposição desta última em captar a ideia geral daqueles ao seu redor e, assim, servir ao propósito geral." Peirce sustentou que existem três desses princípios e três modos de evolução associados:"Três modos de evolução foram assim apresentados a nós: evolução por variação fortuita, evolução por necessidade mecânica e evolução por amor criativo. Podemos denominá-los evolução ticástica, ou ticasmo, evolução anancástica, ou anancasmo, e evolução agapástica, ou agapasmo. As doutrinas que representam cada uma delas como de importância principal podem ser denominadas tiquismo, anancasmo e agapasticismo. Por outro lado, as meras proposições de que o acaso absoluto, a necessidade mecânica e a lei do amor operam separadamente no cosmos podem receber os nomes de tiquismo, anancasmo e agapismo." —C. S. Peirce, 1893O agapismo se insere dentro de sua doutrina do sinequismo. Houve inspiração do conceito unitivo do amor em Schelling. O Evangelho cristão também serviu de modelo. Para Peirce, a proposição realça que, em sua cosmologia, a criação no universo é não compulsiva, mas sacrificial, de doação do amor: para ele, o crescimento da Natureza e o falibilismo cognitivo somente podem ser reconciliados por meio da força da "identificação" proporcionada pelo movimento do amor espraiado pelo cosmos, visto que "amor" é o conceito dado a uma força que porta uma teleologia a um bem comum. Assim, cada indivíduo se une a outro para um bem comum. Enquanto o tiquismo se referiria ao acaso e à categoria da primeiridade, o ananquismo ao choque bruto e à segundidade de leis mecânicas, a mediação entre ambos ocorre pelo agapismo, em terceiridade. Para Peirce, o acaso e a necessidade são fatores importantes no processo cósmico, porém são formas parciais e subsumidas à lei do agapismo, a qual tornaria o universo cada vez mais aperfeiçoado. Em sua lógica, o conceito também possui um papel importante: ele designa um processo de pensamento para além da dedução, em que se intui "por uma atração imediata pela própria ideia, cuja natureza é adivinhada antes que a mente a possua, pelo poder da simpatia, isto é, em virtude da continuidade da mente". Assim, as coletividades de ideias e de pessoas são reunidas em simpatia pelo amor criativo. Vincula-se, por excelência, diretamente ao processo de abdução.

Referências