O apagão da Internet no Irã em 2019 foi uma interrupção total da Internet no Irã que durou uma semana. Foi ordenado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e imposto pelo Ministério da Tecnologia da Informação e Comunicações do Irã (MTIC). O apagão foi uma das medidas tomadas pelo governo iraniano para reprimir os protestos no Irã de 2019-2020. Durante o apagão, os cidadãos iranianos só podiam acessar a Rede Nacional de Informação. Mohammad-Javad Jahromi foi sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos devido ao seu papel na censura da Internet no Irã. O apagão causou prejuízos estimados entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão à economia iraniana.

Extensão O apagão de 2019 foi a maior interrupção da internet já ocorrida no Irã. Foi “a desconexão mais grave registrada pela NetBlocks em qualquer país em termos de complexidade técnica e amplitude”. Embora tenha sido um bloqueio quase total, os principais políticos iranianos ainda tinham acesso à Internet. O apagão de 2019 foi o primeiro e mais longo bloqueio total da Internet em um grande país. Foi também o primeiro apagão que isolou efetivamente uma nação inteira. Doug Madory, diretor de análise da Internet da Oracle, descreveu a operação como “incomum em sua escala” e muito mais avançada. Os iranianos costumam usar VPNs para acessar as redes sociais, mas nenhuma delas funcionou durante o bloqueio. Como resultado, algumas pessoas usaram o Toosheh para obter notícias e outros conteúdos relacionados à Internet. Um novo estudo realizado pela organização de direitos humanos Article 19 revelou como as autoridades iranianas conseguiram cortar o acesso à Internet de dezenas de milhões de iranianos em novembro de 2019 e usar outro tipo de Internet “local” em seu lugar. Este estudo descreve a estrutura da Internet no Irã e fornece um panorama de controle sem paralelo em qualquer outro lugar do mundo. Essa consolidação de tecnologias significa que o Irã está em uma posição única para exercer controle sobre a Internet de seus cidadãos. A interrupção fazia parte de uma estratégia mais ampla para restringir a disseminação de informações relacionadas aos protestos e impedir a coordenação das manifestações.

Implementação O MTIC levou 24 horas para cortar o acesso das pessoas à Internet. O ministério teve que ordenar que uma série de provedores de Internet e de dados móveis parassem de fornecer aos usuários rede internacional e se conectassem à NIN. Alguns provedores retiraram suas rotas da Internet e outros continuaram a anunciar rotas, mas bloquearam o tráfego. Embora a rede global não estivesse acessível, os serviços locais, incluindo bancos, aplicativos de mensagens estatais e aplicativos móveis de aluguel de veículos, continuaram a operar através da Rede Nacional de Informações. Os mecanismos de busca na web e os softwares de navegação GPS estatais também estavam habilitados.

Estatísticas Os usuários relataram pela primeira vez pequenas interrupções em Mexede em 15 de novembro. As interrupções aumentaram em extensão e gravidade, com impacto também visível nos gráficos gerais de conectividade. As maiores operadoras de rede móvel do Irã, incluindo MCI, Rightel e Irancell, ficaram offline na noite de 16 de novembro. O bloqueio da Internet aumentou gradualmente até que o país chegou ao ponto de paralisação total. Houve um retorno parcial da Internet em oito províncias (Ardebil, Gulistão, Marcazi, Mazandarão, Gasvim, Qom, Semnã e Azerbaijão Ocidental) por volta das 19h do dia 17 de novembro, mas em 20 de novembro a conectividade nacional estava em 5% dos níveis normais. De acordo com o Monash IP Observatory, a única área que não foi afetada pelo desligamento nacional foi a cidade histórica de Bam, na província da Carmânia. Em 23 de novembro, a NetBlocks informou que “o acesso à Internet está sendo restaurado no Irã e os níveis de conectividade haviam subido para 64%”.

Impacto O regime iraniano matou cerca de 1500 pessoas que protestavam contra o aumento dos preços da gasolina, fazendo com que o mês de novembro de 2019 fosse conhecido como novembro sangrento ou Aban sangrento (9o mês do calendário iraniano, que coincide, em grande parte, com novembro). Os iranianos não podiam entrar em contato com seus amigos e familiares no exterior pela Internet. Centenas de casas de câmbio e agências de viagens fecharam as portas. As vendas de ingressos de cinema caíram 60%. As estimativas dos danos totais para a economia variam entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. O The Washington Post informou que o apagão teve um impacto severo nas startups e pequenas empresas.

Referências