A Conspiração de Rawalpindi foi uma tentativa de golpe de Estado para depor Liaquat Ali Khan, o primeiro primeiro-ministro do Paquistão, em março de 1951. Foi a primeira das muitas tentativas de golpe subsequentes contra governos na história do Paquistão. O golpe foi planejado principalmente pelo general Akbar Khan, pelo poeta Faiz Ahmad Faiz e pelo escritor Sajjad Zaheer, juntamente com outras doze pessoas.

Causas Segundo o escritor Hasan Zaheer, houve três causas principais para a conspiração de Rawalpindi. Primeiro, o descontentamento geral dos oficiais do exército paquistanês com o desempenho do governo de Liaquat Ali Khan, que consideravam corrupto e incompetente. Segundo, a opinião de muitos oficiais paquistaneses de que a presença contínua de oficiais britânicos no exército paquistanês representava uma ameaça à segurança. Terceiro, e mais imediatamente, o descontentamento com a forma como o governo lidou com a Guerra da Caxemira com a Índia (1947-1948). Os oficiais do exército sentiam que a aceitação da mediação da ONU e do cessar-fogo por parte do governo era débil e que este havia desperdiçado a oportunidade de capturar toda a Caxemira.

Participantes Onze militares e quatro civis participaram da conspiração. O principal responsável pelo planejamento do golpe foi o major-general Akbar Khan, chefe do Estado-Maior do exército paquistanês. Durante a Guerra da Caxemira, Khan liderou as forças paquistanesas sob o pseudônimo de General Tariq. Ele estava baseado na cidade de Rawalpindi, no norte do país, onde ficava o quartel-general do exército, enquanto a capital política do estado era a cidade de Karachi, no sul, naquela época. Entre os conspiradores civis estavam o proeminente poeta paquistanês Faiz Ahmad Faiz, notavelmente ativo na política de esquerda e simpatizante do Partido Comunista do Paquistão, e Sajjad Zaheer. Acredita-se também que a esposa de Akbar Khan, Naseem Shahnawaz Khan, tenha motivado o marido a empreender esse complô.

Exposição e julgamento A conspiração foi frustrada depois que um dos confidentes de Akbar Khan informou o governo sobre a tentativa de golpe. As forças governamentais prenderam imediatamente o major-general Akbar Khan e os outros conspiradores, incluindo Faiz Ahmed Faiz. O comandante-em-chefe do exército, general Muhammad Ayub Khan, e o secretário de defesa, major-general Iskander Mirza, permaneceram leais ao governo. Ayub Khan ordenou imediatamente que as tropas do exército cercassem e tomassem o controle do quartel-general do exército, onde o major-general Akbar Khan estava baseado. O primeiro-ministro Liaquat Ali Khan anunciou o golpe fracassado em 9 de março de 1951. O governo aprovou a Lei da Conspiração de Rawalpindi (Tribunal Especial) para estabelecer um tribunal especial para investigar a conspiração. Foi realizado um julgamento para os 15 indivíduos acusados, a saber: Major General Akbar Khan, Comodoro Aéreo M. K. Janjua, Major General Nazir Ahmed, Brigadeiro Sadiq Khan, Brigadeiro M. A. Latif Khan, Tenente Coronel Zia-ud-Din, Tenente Coronel Niaz Muhammad Arbab, Capitão Khizar Hayat, Major Hassan Khan, Major Ishaq Muhammad, Capitão Zafrullah Poshni, Naseem Shahnawaz Khan, Faiz Ahmed Faiz, Syed Sajjad Zaheer e Muhammad Hussain Ata. Após um julgamento secreto de 18 meses, o major-general Khan e Faiz Ahmed Faiz foram considerados culpados e condenados a longas penas de prisão. Seu advogado de defesa foi o político bengali Huseyn Shaheed Suhrawardy. Quando Suhrawardy se tornou primeiro-ministro do Paquistão em 1957, ele garantiu o indulto para a maioria dos conspiradores.

Consequências Liaquat Ali Khan foi assassinado posteriormente, em Rawalpindi. O general Ayub Khan lançou o primeiro golpe militar bem-sucedido contra o governo do presidente Iskander Mirza em 1958, assumindo ele próprio a presidência até 1969. O major-general Akbar Khan reinventou-se na política paquistanesa, tornando-se conselheiro do político paquistanês Zulfikar Ali Bhutto. Ao chegar ao poder em 1971, Bhutto nomeou Akbar Khan chefe da segurança nacional. Naseem Shahnawaz e Akbar Khan divorciaram-se, e a primeira mudou seu nome para Naseem Jahan (em homenagem à sua mãe, Jahanara Shahnawaz) e tornou-se uma política por direito próprio. Faiz continuou a publicar muitas obras de poesia, e o governo Bhutto o nomeou para o Conselho Nacional de Artes.

Nota

Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano cujo título é «Conspiración de Rawalpindi».

Referências

Bibliografia Dryland, Estelle. "Faiz Ahmed Faiz and the Rawalpindi Conspiracy Case." Journal of South Asian Literature 27.2 (1992): 175–185. Online