Voz do Setorista: Corinthians tem novidade para enfrentar o Internacional

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, assinou um acordo com a Caixa Econômica Federal para liberar R$ 27 milhões depositados em uma conta reserva prevista no contrato de pagamento da dívida pela Neo Química Arena.
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O Corinthians recebeu R$ 13,5 milhões nesta quarta-feira - a outra metade ainda será transferida pela Caixa em data a ser confirmada.
Com esse dinheiro, a diretoria planeja quitar nesta quinta os salários dos funcionários e dos jogadores, que não puderam ser pagos até esta quarta, a data-limite para acerto das remunerações previstas na CLT.
O acordo assinado por Stabile se refere apenas à liberação dos R$ 27 milhões retidos, mas representa, na visão da diretoria, um passo importante na negociação para quitação da dívida de R$ 630 milhões que o Corinthians tem com a Caixa pela construção da Arena.
O Corinthians recebeu recentemente a sinalização de avanço na negociação, com a confirmação da suspensão dos pagamentos das parcelas trimestrais devidas e a indicação de que o banco estatal deixaria de bloquear verbas de bilheteria e premiações de campeonatos.
Procurada pelo ge, a assessoria de imprensa da Caixa enviou a seguinte nota:
— A Caixa não se manifesta sobre operações bancárias específicas e eventuais negociações, em obediência ao sigilo bancário previsto na Lei Complementar 105/2001.
Osmar Stabile é presidente do Corinthians desde o meio de 2025 — Foto: Fabio Giannelli/AGIF
Entenda a negociação
O Corinthians negocia com a Caixa a possibilidade de quitar a dívida pela Arena oferecendo os naming rights do estádio e outros produtos comerciais ao banco estatal.
O clube propõe que a Caixa assuma o nome do estádio, hoje pertencente à Hypera Pharma.
A diretoria considera que os naming rights atualmente valem cerca de R$ 70 milhões por temporada, bem acima dos R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, que a Hypera paga desde a assinatura do contrato, em 2020.
O projeto ainda envolve outros ativos, como lançamento de títulos de capitalização, transferência de toda a operação financeira do clube (contas e pagamento de salários) para a Caixa e até cartões para o programa Fiel Torcedor.
Com o valor dos naming rights pactuado entre Corinthians e Caixa seria possível dar a dívida como quitada, já que o banco teria o direito de explorar comercialmente o nome do estádio por determinado período.
O assunto voltou à tona neste ano, em razão dessa grave crise, cuja principal motivadora, no entendimento da diretoria, é justamente a dívida da Arena. Stabile costuma repetir que o seu principal objetivo na presidência é quitar o estádio.
Dívida da Arena
Desde a inauguração do estádio, em 2014, o Corinthians desembolsou cerca de R$ 600 milhões ao longo dos anos para pagar o financiamento para construção.
O contrato que renegociou as pendências, acertado na gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, estipula dezembro de 2041 como prazo de pagamento da dívida, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros pagos desde 2023, à taxa de 2% ao ano acrescida da variação do CDI.
Na prática, o Corinthians só pagou juros em 2023 e 2024 e começou a diminuir o saldo da dívida a partir de 2025.
Nos bastidores, Stabile cita a dívida pela Arena como principal motivador da grave crise financeira do clube, que tem endividamento total na casa dos R$ 2,8 bilhões.
No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para privilegiar outras pendências. A declaração fez o banco estatal admitir uma renegociação.
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