Katharina Leipelt (nascida Katharina Baron; também conhecida como Kaethe Leipelt; Boskovice, 28 de maio de 1892 – Hamburgo, 9 de dezembro de 1943) foi uma química alemã e integrante da resistência ao nazismo ligada ao grupo da Rosa Branca de Hamburgo. Katharina pertenceu à primeira geração de mulheres que conseguiu cursar Química na Universidade de Viena. As mulheres só haviam conquistado acesso regular aos estudos universitários de filosofia e ciências naturais no final do século XIX, e ainda eram uma minoria muito pequena nos laboratórios. Foi presa pela Gestapo em 7 de dezembro de 1943 e encontrada morta dois dias depois, em 9 de dezembro de 1943, na prisão de Fuhlsbüttel, após ter sido informada de que seria deportada para Auschwitz.
Biografia Leipelt nasceu em uma família judaica em Boskowitz, em 1892. Seu pai, Arnold Baron (1860–1939), era um comerciante judeu originário de Boskowitz (atual Boskovice, na República Tcheca). Sua mãe era Hermine Baron (1866/1867–1943). Embora tivesse sido batizada na fé protestante e se identificasse como evangélica, Hermine foi considerada judia pelas leis raciais nazistas. Estudou Química em Viena e obteve o doutorado em 1917 na atual Universidade de Viena. Obteve o doutorado em Química. Durante a Primeira Guerra Mundial, conheceu o engenheiro Conrad Leipelt, natural da Silésia, com quem se casou após o conflito. Em 1921, nasceu em Viena o filho do casal, Hans Leipelt. No início da década de 1920, Conrad Leipelt assumiu o cargo de diretor técnico da empresa Zinnwerke Wilhelmsburg, e a família passou a morar em uma villa na localidade de Rönneburg, próxima a Hamburgo. Em 1925, nasceu a filha do casal, Maria Leipelt. Devido à sua origem judaica, Leipelt e sua família passaram a ser afetados, a partir de setembro de 1935, pelas disposições das Leis de Nuremberg, que classificavam como judeus todos os alemães que possuíssem pais judeus. Seus filhos, Hans e Maria Leipelt, foram considerados Mischlinge (mestiços de primeiro grau, ou "meio-judeus", na terminologia nazista). Em 1936, a família mudou-se para o bairro Reiherstiegviertel, em Wilhelmsburg.
Segunda Guerra Mundial Com a anexação da Áustria ao Terceiro Reich, em março de 1938, os parentes que permaneciam em Viena tornaram-se vítimas das perseguições nazistas. O irmão de Katharina suicidou-se em 12 de março de 1938, enquanto seus pais fugiram para Brno. Arnold e sua esposa fugiram para Brno, onde ele faleceu em 1939. Conrad Leipelt viajou à Áustria e levou sua sogra, Hermine Baron, para viver com a família em Wilhelmsburg. Com o início da Segunda Guerra Mundial, as restrições impostas aos judeus e seus familiares tornaram-se ainda mais severas. Maria Leipelt foi proibida de continuar frequentando a escola secundária, e Hans Leipelt foi expulso da Wehrmacht em 29 de agosto de 1940. Hermine Baron foi deportada para o Gueto de Theresienstadt em 19 de julho de 1942, onde morreu em 22 de janeiro de 1943. Quando Conrad Leipelt sofreu um infarto fatal, de forma inesperada, em setembro de 1942, a família perdeu sua última proteção contra as perseguições antissemitas promovidas pelo Estado nazista. Katharina Leipelt mantinha uma casa acolhedora na Kirchenallee, em Wilhelmsburg, atualmente chamada Mannesallee. O local tornou-se ponto de encontro de um círculo de amigos de diferentes gerações, composto principalmente por pessoas que, por experiências pessoais, se opunham ao regime nazista. Ali realizavam-se tanto encontros sociais quanto discussões políticas e trocas de informações. Depois que os panfletos da organização de resistência Rosa Branca chegaram a Hamburgo, em 1943, eles passaram a ser debatidos favoravelmente também entre os membros mais velhos desse grupo. Quando Hans Leipelt foi preso em Munique, em 8 de outubro de 1943, Katharina viajou para a cidade tentando organizar apoio para o filho. Em 9 de novembro de 1943, sua filha Maria também foi presa em razão de sua ligação com as atividades da Rosa Branca em Hamburgo. Durante os meses seguintes, Maria foi transferida entre várias prisões e penitenciárias alemãs enquanto aguardava julgamento por acusações de alta traição, auxílio ao inimigo e atividades de resistência. Em janeiro de 1945, ainda encarcerada, recebeu a última carta do irmão Hans. Pouco depois, foi transferida para a região da Baviera. Em 14 de abril de 1945, foi libertada pelas tropas americanas antes que seu julgamento fosse concluído. Após a guerra, Maria sobreviveu e reconstruiu sua vida. Segundo pesquisas sobre a família Leipelt, ela foi a única integrante direta da família a sobreviver ao período de perseguição nazista e posteriormente emigrou para os Estados Unidos e faleceu em 2008. Hans Leipelt foi denunciado à Gestapo e preso em 8 de outubro de 1943. Após um julgamento do Tribunal do Povo (Volksgerichtshof), recebeu sentença de morte e foi executado por guilhotina em 29 de janeiro de 1945, na prisão de Stadelheim, em Munique, aos 23 anos.
Prisão e morte
Em 7 de dezembro de 1943, Katharina Leipelt foi presa e encarcerada na prisão policial de Fuhlsbüttel. Dois dias depois, em 9 de dezembro de 1943, foi encontrada morta em sua cela. Fontes mais antigas afirmavam que Leipelt teria se enforcado na noite de 8 para 9 de janeiro de 1944 para evitar sua deportação para o campo de concentração de Auschwitz. No entanto, pesquisas extensas realizadas pela iniciativa Gedenken in Harburg e por estudantes do Heisenberg-Gymnasium, em Hamburgo, levaram à correção oficial da data de sua morte e também levantaram dúvidas sobre as circunstâncias em que ela ocorreu.
Homenagens A memória de Katharina Leipelt é preservada por meio de Stolpersteine (pedras de tropeço) instaladas na Mannesallee e na Rotenhäuser Straße, em Hamburgo-Wilhelmsburg, bem como na Vogteistraße, em Hamburgo-Rönneburg. Seu nome também figura, ao lado de outras vítimas da Rosa Branca, no Memorial da Rosa Branca em Hamburgo-Volksdorf. Em conformidade com uma resolução do Senado de Hamburgo de 11 de julho de 2017, a Leipeltstraße, em Wilhelmsburg, passou a homenagear não apenas seu filho Hans Leipelt, mas também Katharina Leipelt.
Referências