São Paulo, Brasil“Se perde, o técnico é tonto. “Se ganha, é muito bom.”Ancelotti apelou para a ironia diante das pesadas críticas pelo empate contra a fraca Austrália, na sexta-feira passada, quando ele obrigou a Seleção a atuar como no videogame, montada por um garoto de 12 anos. E não por um pentacampeão da Champions League: com quatro atacantes e só dois jogadores no meio-campo.Lógico que não deu certo; o Brasil foi sufocado diante de cinco australianos nas intermediárias. 1 a 1 foi muito injusto com o país da Oceania.Já hoje, não. Ancelotti fez o mínimo que se espera de um dos treinadores mais bem pagos do mundo. Fez o óbvio. Tirou Endrick e colocou Gabriel Bontempo. Com três nas intermediárias, o Brasil ficou muito mais equilibrado e pôde impor a enorme diferença técnica entre os jogadores.Mas ele segue uma velha característica que trouxe da Itália. A teimosia. Principalmente quando está errado. Ele faz a mudança pedida pelos jornalistas. Mas não a assume publicamente.Perguntado se o Brasil foi melhor com três jogadores no meio-campo, e foi, ele não quis assumir o erro de sexta-feira.“Não sei (se funcionou melhor). Acho que não é o momento para dizer qual é o melhor sistema. Acho que temos, no geral, uma qualidade de jogadores com que podemos seguir trabalhando o sistema do primeiro jogo e também esse sistema. “É verdade que, agora, neste momento, não temos muita produção de jovens meio-campistas. Por isso, Breno, Gabriel (Bontempo), que jogou hoje, vamos olhar para eles e ver se outros jovens podem mostrar sua qualidade no meio de campo. “A linha é muito clara, vamos seguir as duas linhas: o sistema com os quatro na frente e o sistema com os três meio-campistas.”O grande problema brasileiro foi a defesa. Otávio foi um poço de insegurança, assim como havia sido Hugo Souza. O Brasil pena na busca do substituto de Alisson.Jair, pelo contrário, fez ótima partida. Inclusive salvando alguns erros primários em saídas de gol de Otávio.Esperto, Ancelotti, para não criticar o comportamento irregular da defesa, principalmente de Otávio, destacou o ‘poderio’ australiano.“Eles jogaram diferente hoje. Honestamente, tenho que dizer que eles jogaram muito bem, com alta intensidade. Eles são muito bem organizados. Eles nos surpreenderam, considerando o primeiro jogo e esse. “Eles pressionaram muito mais na frente, e nós tivemos mais dificuldade atrás. É um time muito bom, na minha opinião. Muito bom. Jogadores fortes. Talvez não tenham a qualidade que nós temos, mas são jogadores potentes, bem organizados e fortes nos duelos. Uma seleção muito boa.”Ancelotti fugiu da questão mais evidente do jogo. O erro que foi Bruno Guimarães tirar a bola das mãos de Vinicius Júnior, na cobrança de pênalti contra a Noruega. O meio-campista errou quando o fátidico jogo estava 0 a 0.Hoje houve outro pênalti. Bruno Guimarães estava indo para a cobrança. Mas Ancelotti mandou que Vinícius Júnior batesse. E ele marcou. Situação que deveria ter acontecido na Copa do Mundo.“O Bruno já havia marcado um gol. Quem bate o pênalti é o Raphinha, que bateu o primeiro. O segundo era o Bruno. Bruno já havia feito gol, então acho que o Vini merecia marcar um gol e bater o pênalti. E marcou.”Mera desculpa do técnico, que sabe que errou nos Estados Unidos. Bruno Guimarães havia cobrado apenas três pênaltis quando bateu diante da Noruega.A tentativa de improvisar Raphinha como ‘falso nove’ não deu certo. O que é um problema importante para o futuro da Seleção. Endrick atuou melhor, descontando a fragilidade da cansada zaga australiana.Mas o que importou hoje foi a vitória diante da 28ª seleção no ranking da Fifa.Sábado, o confronto com a ‘poderosa’ Índia, 138ª no ranking Fifa.Os jogos nessa interminável e inconveniente data Fifa têm, para o Brasil, a missão de buscar resgatar os desiludidos torcedores.Com vitórias diante de adversários fraquíssimos.E torcer para que Ancelotti recupere a noção de realidade. Ele não está jogando videogame com um sobrinho. Está comandando o país mais vencedor da história do futebol mundial.Time com quatro atacantes fixos perde até no FC 26, modelo mais recente do videogame que imita o futebol...















