O transporte aéreo hoje é um grande motor para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, mas ainda esbarra em alguns gargalos estruturais que seguram seu potencial de expansão. Essa é a avaliação que o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Tiago Faierstein fez em entrevista ao podcast BM Convida, do escritório Bento Muniz Advocacia.Pelos dados da IATA divulgados em junho, o setor de aviação no Brasil já representa 2,1% do PIB nacional, levando em conta toda a cadeia de valor, desde cias aéreas e operadores de aeroportos até o turismo. Ao todo, a atividade sustenta 1,9 milhão de empregos e movimenta US$ 46,4 bilhões na economia. Só a aviação comercial gerou quase 246,8 mil empregos diretos em 2025. E no primeiro semestre de 2026, o país transportou 65,2 milhões de passageiros, uma alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a própria agência.Mesmo com o crescimento na demanda, Faierstein aponta que o mercado brasileiro ainda sofre com a falta de aeronaves, que é consequência direta da retração da cadeia produtiva global no pós-pandemia. “Hoje se uma companhia aérea quiser comprar uma aeronave, não tem. E com falta de aeronave, faltam assentos”, afirmou ele, explicando que esse desequilíbrio na oferta e demanda acaba pressionando o preço da passagem.Um outro ponto decisivo para atrair novas empresas para o país é o ambiente de negócios. Para o diretor da ANAC, a alta judicialização é um dos maiores entraves que as empresas internacionais apontam quando avaliam operar no Brasil. Ele também chamou a atenção sobre os impactos da reforma tributária na aviação: do jeito que a proposta foi desenhada hoje, poderia onerar o setor em até 30%. Esse cenário já vem sendo discutido pela ANAC junto aos Ministérios da Fazenda e de Portos e Aeroportos para tentar ajustar as particularidades da área sem ter que aumentar a carga de impostos.Faierstein reforçou também que a aviação civil opera com margens historicamente baixas no mundo todo, o que explica um pouco do papel do Estado no fomento ao setor em vários países. “Você sabe qual foi o lucro médio das companhias aéreas em 2025? Foi 3,5%. Só o dólar variou 27%”, lembrou ele, citando que três das principais companhias aéreas do Brasil passaram por processos de recuperação judicial nos últimos anos.Para o presidente da agência, desenvolver novas rotas aéreas é condição fundamental para a interiorização do turismo e dos negócios em várias regiões. “Algumas cidades só vão desenvolver seu turismo, negócio, interiorização, regionalização, se as companhias aéreas forem desenvolvidas”, declarou ao podcast, defendendo uma agenda mais focada em conectar as cidades e ampliar o número de brasileiros voando.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp







