O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, vai anunciar na quarta-feira (16) a decisão sobre a taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa do mercado é de corte da taxa Selic de 0,25 ponto percentual, passando para 13,75% ao ano.Na última reunião, em agosto, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, mantendo o ciclo de flexibilização monetária.Mas o comunicado trouxe um tom cauteloso, além de afirmar que a magnitude do ciclo será ajustada de acordo com a evolução do cenário.Na última sexta-feira (11), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com recuo de 0,32% em agosto. A maior deflação para um único mês em quatro anos.O que contribui tanto para a inflação acumulada no ano, que está em 3,11%, quanto em 12 meses, que está em 4,22%. A meta estipulada pelo governo para a inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.Por outro lado, o cenário internacional permanece incerto, com pressão recente na curva de juros dos EUA e nova rodada de elevação das tensões no Oriente Médio, gerando volatilidade nos preços de petróleo.O ciclo de redução da taxa Selic começou em março deste ano.“Na nossa visão, o cenário é compatível com uma queda adicional da Selic para 13,75%”, afirma Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank.Para ele, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista.Por isso, o Comitê deve manter uma comunicação cautelosa e sem antecipar os movimentos seguintes, embora reconhecendo a possibilidade de novos ajustes, caso necessário.“Com essa avaliação, revisamos nossa projeção para a Selic ao final de 2026 de 14% para 13,75% e esperamos manutenção da taxa nesse patamar nas reuniões restantes do ano”, avalia o economista.A equipe econômica do Banco Itaú também prevê um corte de 25 pontos-base, levando a taxa Selic para 13,75%.“A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de que o cenário base evoluiu em linha com o esperado no âmbito doméstico, com moderação gradual da atividade e recuo da inflação corrente, enquanto expectativas de inflação não tiveram deterioração adicional e cenário externo permaneceu incerto”, avalia em nota.Já a comunicação deve enfatizar serenidade e cautela diante do cenário de incerteza, indicando manutenção de restrição monetária adequada para convergência da inflação à meta, segundo a avaliação da equipe do Itaú.Para Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados), o resultado da inflação pode abrir espaço para uma política monetária menos restritiva do que a atual. “Hoje, nós temos uma taxa básica de juros que está altíssima e não há fatores macroeconômicos que justifiquem esse processo. Ou seja, a inflação está controlada, abaixo, inclusive, do que fora o centro da meta de inflação alguns poucos anos atrás”, afirma Queiroz. Ele destaca que o ritmo de atividade econômica está fraco e a economia precisa ser estimulada. “Por isso, os dados de inflação corroboram a defesa da Apas de uma taxa de juros civilizada, ou seja, temos que acelerar o processo de redução de juros, porque a economia, até então, tem se mostrado minimamente resiliente, mas não por muito tempo. E inflação não é o nosso problema macroeconômico do momento”, acrescenta o economista da Apas. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.Quando a Selic cai, a tendência é de redução do custo do crédito, favorecendo o consumo das famílias, os investimentos das empresas e o crescimento da atividade econômica.Quando a Selic sobe, o crédito tende a ficar mais caro. Empréstimos, financiamentos e o rotativo do cartão de crédito passam a cobrar juros mais elevados, o que reduz o consumo, desestimula investimentos e ajuda a conter a inflação.Ainda assim, as taxas cobradas pelos bancos também dependem de fatores como inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












