Um movimento incomum de um satélite de fabricação russa pode tê-lo aproximado a menos de 1,6 km de um satélite comercial de observação da Terra que pode ser utilizado para fornecer serviços de segurança nacional a países como a Ucrânia.Não está claro o que exatamente o satélite russo, chamado Kosmos 2612 ou Cosmos 2612, pretendia alcançar com sua aproximação. No entanto, o comportamento foi consistente com operações de encontro e proximidade, ou seja, manobras realizadas em órbita projetadas para reunir duas espaçonaves, segundo indicou em um comunicado a empresa de serviços de monitoramento orbital LeoLabs, que rastreia o lixo espacial e a atividade na órbita terrestre.“Embora a intenção continue sendo incerta, o comportamento justifica um monitoramento contínuo”, acrescentou a LeoLabs no comunicado.Embora o encontro ou acoplamento de dois veículos seja algo que ocorre constantemente no espaço, as ações do Kosmos 2612 podem marcar a primeira vez que uma espaçonave se aproximou de outra sem permissão, apontou Jonathan McDowell, astrofísico e analista espacial, em uma publicação nas redes sociais.O satélite de observação, chamado Iceye-X36, é operado pela Iceye, uma empresa multinacional com escritórios nos Estados Unidos, na Finlândia e em vários outros países da Europa e da Ásia.A empresa declarou na segunda-feira (19): “Estamos cientes da situação e a estamos acompanhando de perto. A arquitetura de nossa constelação foi projetada para garantir a continuidade e a resiliência”. Um porta-voz se recusou a fazer mais comentários.O Iceye-X36 utiliza tecnologia de radar de abertura sintética (SAR), que “permite obter imagens de alta resolução tanto de dia quanto de noite, independentemente das condições climáticas”, segundo a Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço).A constelação de satélites da Iceye tem sido utilizada para apoiar “as Forças Armadas da Ucrânia com um conhecimento constante da situação em prazos táticos”, segundo um comunicado de imprensa de janeiro que detalhava um acordo ampliado entre a empresa e a Ucrânia. Não ficou claro imediatamente se o Iceye-X36, especificamente, foi utilizado para apoiar operações militares ucranianas. A Iceye se recusou a comentar.Desde maio têm surgido indícios de que espaçonaves militares russas poderiam estar tentando se aproximar dos satélites operados pela Iceye, quando quatro satélites controlados pela Rússia ajustaram suas órbitas para se alinhar com o Iceye-X36, segundo um relatório de junho do Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI), uma organização de pesquisa em defesa e segurança com sede no Reino Unido.Em seguida, em 15 de outubro, o satélite Kosmos 2612 se aproximou rapidamente do Iceye-X36, reduzindo a distância de 350 quilômetros para menos de 5 quilômetros na madrugada de 16 de outubro, segundo a LeoLabs.Posteriormente, o Kosmos 2612 pareceu manter sua distância, “realizando pequenos ajustes” para “manter uma posição relativa próxima durante todo o fim de semana”, informou a LeoLabs na segunda-feira.“A análise indica que ele se aproximou a cerca de 500 metros durante parte do incidente; no entanto, é importante ressaltar que as estimativas exatas da separação carregam incerteza devido às manobras repetidas e à geometria de rastreamento complicada”, apontou a LeoLabs.A CNN Internacional entrou em contato com o Ministério da Defesa e as Forças Aeroespaciais da Rússia, bem como com a agência espacial russa, Roscosmos, para buscar comentários.Até segunda-feira, o satélite Kosmos 2612 havia começado a se afastar do Iceye-X36, destacou a LeoLabs. As manobras realizadas pelo veículo russo poderiam ter sido utilizadas para “inspecionar, caracterizar, acompanhar de perto ou, potencialmente, interferir em outra espaçonave”, segundo a empresa.“Embora este evento, e as capacidades demonstradas, não indiquem uma intenção hostil”, afirmou a LeoLabs, “eles demonstram, no entanto, capacidades que poderiam apoiar a coleta de inteligência, a inspeção em órbita, a emissão de sinais coercitivos, a interferência ou a preparação para futuras operações contraespaciais”.O relatório do RUSI também detalhou vários alvos potenciais que a Rússia poderia ter ao se aproximar de um dos satélites da Iceye. A manobra poderia ser uma tática de intimidação ou uma tentativa de interferir nas operações da Iceye por meio de “bloqueio”, uma técnica de interferência que utiliza ruído de rádio para impedir que os satélites se comuniquem.“A gama de opções para a proteção do satélite da Iceye é atualmente limitada”, afirma o relatório do RUSI, “e a defesa e proteção dos satélites apresentam um dilema bem conhecido”.Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp












