Mirelle Pinheiro

Sob comando de faccionado preso, grupo exige R$ 10 mil para não expor nudes
Sob comando de faccionado preso, grupo exige R$ 10 mil para não expor nudes · Imagem: Divulgação/PCRS

As investigações da Polícia Civil do RS constataram que o mandante do crime está preso na Cadeia Pública de Porto Alegre

Sob comando de faccionado preso, grupo exige R$ 10 mil para não expor nudes
Sob comando de faccionado preso, grupo exige R$ 10 mil para não expor nudes · Imagem: Source: www.metropoles.com

Letícia Guedes

16/10/2026 08:01

Divulgação/PCRS

Nesta sexta-feira (16/10), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) deflagrou operação para desmontar um esquema de extorsão digital que exigia dinheiro para não divulgar imagens íntimas. A ação, segundo a investigação, seria articulada a partir do sistema prisional por um investigado vinculado a uma facção criminosa com atuação em Porto Alegre.

Batizada de Sombra Digital, a ação policial cumpre nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, nos bairros Costa e Silva, Mário Quintana, Vila Jardim e Vila João Pessoa, além de uma cela da Cadeia Pública de Porto Alegre.

A operação é resultado de investigação que revelou um esquema de extorsão digital, com indícios de atuação coordenada de um grupo criminoso. Segundo a Polícia Civil, os criminosos se valiam de múltiplas linhas telefônicas, aparelhos compartilhados e chaves Pix em nome de terceiros para exigir dinheiro da vítima sob ameaça de divulgação de conteúdo íntimo.

As apurações apontam, ainda, que a ação seria articulada a partir do sistema prisional por um investigado vinculado a uma facção criminosa com atuação na capital gaúcha.

O caso

As investigações foram iniciadas após a vítima registrar ocorrência policial, relatando que, a partir de 4 de agosto de 2026, passou a receber mensagens no WhatsApp de diferentes números de telefone exigindo o pagamento de R$ 10 mil para não divulgar imagens íntimas e conversas privadas a seus familiares e no ambiente profissional.

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Para dificultar que a vítima tivesse provas, o conteúdo era encaminhado com o recurso de visualização única. Ela também recebeu novas mensagens com a mesma exigência, sob ameaça de exposição.

Para intensificar a pressão psicológica, os autores também enviaram à vítima dados pessoais dela e de seus familiares, incluindo endereços residenciais e locais de trabalho.

A identificação do grupo

Foi constatado que o mandante das ações está atualmente recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre e coordenava as atividades com o apoio de familiares e de uma estrutura criminosa fora do estabelecimento prisional.

A Justiça determinou a expedição de mandados de busca e apreensão nos endereços dos oito investigados identificados, inclusive na cela onde se encontra recolhido o articulador do grupo.

Segundo a Polícia Civil, as buscas visam à apreensão de aparelhos celulares, chips de operadoras (SIM cards), anotações e documentos com dados bancários e chaves Pix, comprovantes de transações financeiras, além de outros instrumentos e eventuais produtos do crime.

De acordo com Filipe Borges Bringhenti, diretor operacional do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernético(DERCC), a operação deixa a mensagem de que o anonimato da internet não é um escudo para o crime.

“Quem utiliza o ambiente virtual para extorquir e expor a intimidade alheia precisa saber que as técnicas de disfarce digital já são plenamente superadas pelo aparato tecnológico da Polícia Civil. Nós rastreamos os passos, quebramos os sigilos necessários e alcançamos os responsáveis onde quer que tentem se esconder”.

As investigações seguem para a responsabilização de todos os suspeitos do crime.